Os 5s da pandemia nos negócios
Varejo

Os 5s da pandemia nos negócios

Por Caio Camargo, Diretor da vertical de Shopping na Linx

Uma das melhores palestras apresentadas na última NRF 21 foi a do especialista Mitch Joel, batizada de “A grande compressão”. Um trocadilho com “A grande depressão” dos anos 30, mas que ilustrava como a pandemia acabou acelerando tecnologias e transformações. Muitos dizem que vivenciamos algo entre 3 a 5 anos em evolução na forma como compramos e vendemos, nesses quase 11 meses de pandemia.

Um dos pontos altos foi quando ele subdividiu esse momento em três grandes estágios. Segundo Joel, teríamos os períodos de Stand (manter), Survive (sobreviver) e Strive (esforço para crescermos a partir daí). Juntando a palestra (gravada no final do ano para ser transmitida no evento), alguns outros conteúdos que estou compilando de outras palestras e o exato momento que vivemos no contexto geopolítico e econômico, ouso propor uma nova segmentação para o período que vivemos e iremos viver nos próximos meses. Essas fases formam o que eu chamo de 5 Ss da pandemia, dentro da realidade do varejo brasileiro:

Susto (março de 2020)

A gente já ouvia falar da pandemia. Mas, a verdade é que embora houvesse rumores no país, foi somente a partir da segunda quinzena de março que sentimos os primeiros efeitos nos negócios. Período em que aconteceram as primeiras restrições e recomendações para permanecermos em casa. A partir daí, começou também o período de isolamento e home office da grande maioria dos brasileiros, ainda imaginando que “em alguns meses” tudo passaria.

Sobrevivência (abril de 2020)

A partir da primeira virada do mês, vivendo ainda um período de incertezas, muitos empreendedores iniciaram mudanças em seus negócios. Mas, a grande maioria esperava que as restrições que se tornavam cada vez mais pesadas pudessem ser flexibilizadas de alguma maneira.

O susto inicial se tornava o pior pesadelo, com as receitas despencando sem a chance de se retomar os negócios da mesma maneira. Para alguns negócios já se perdia a primeira data sazonal do mercado, a Páscoa, com vendas apresentando quedas absurdas se comparadas ao ano interior.

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Solução (entre maio e dezembro de 2020)

Em meio à um cenário de pandemia cada vez mais crescente, não houve alternativa senão inovar em canais e modelos de negócio. Enquanto os maiores varejistas já tinham realizado alguma movimentação  nas primeiras semanas de pandemia, implantando ainda em abril sistemas de drive-thru, clique e retire, canais de vendas por WhatsApp, entre outros, muitos ainda aguardavam algum retorno à uma normalidade que se colocava cada vez mais inviável e improvável.

Mas, pensando em como seria possível reverter as perdas de datas sazonais importantes do calendário como: Dia das Mães e Dias dos Namorados. A cada proximidade de uma nova data, todos tínhamos esperança de que teríamos um cenário mais favorável até chegar o momento de vendas, fato que não aconteceu.

Reinvenção e novas restrições

Em meio à pandemia, o resultado das empresas que rapidamente souberam se reinventar começou a aparecer. Se algumas começaram a reconstruir resultados, outras dada sua agilidade de movimentos ou inovações, conseguiram criar resultados até maiores do que em um ano normal.

Tivemos nesse momento a óbvia supremacia dos canais digitais, que mesmo em empresas onde já estavam implantados antes da pandemia, começaram a apresentar crescimentos espantosos, superando em até 2 ou 3 vezes os resultados antes da pandemia.

Mas, mesmo que os números da pandemia a partir de julho começassem a apresentar uma queda e o mercado iniciava um período de flexibilização das atividades, o temor de uma segunda onda de contágios já se iniciava na Europa e Ásia.

O que se tonou realidade ao final do ano, em que vivemos um momento de novas restrições. Nessa fase, os empreendedores tentavam buscar os últimos resultados nas vendas de final de fim de ano e  depositavam  esperanças em um futuro mais favorável. Resultado disso, calçadões e shoppings lotados e uma segunda onda de contaminações, que aconteceu exatamente pela maior movimentação das pessoas.

Saúde (entre janeiro e dezembro de 2021)

Exatamente o momento que estamos. Início da vacinação no Brasil e em meio à tantas dúvidas sobre como, quando, onde e se haverá vacina para todos. Um cenário ainda de incertezas, mas de esperança de que estamos “mais próximos da saída do que da entrada” da crise e da pandemia. É a saúde e o controle dela que ditará as regras de como o mercado e seu público consumidor irá responder.

Possivelmente, viveremos ao menos no primeiro semestre, um período de ocasionais restrições e liberações com reflexos diretos nos negócios. Aqueles que souberam inovar e implantar novos canais e maneiras de se manterem competitivos, até mesmo lucrativos, podem experimentar algum crescimento.

Em meio a um mercado que encara cada vez mais o chamado “novo normal”, apenas como “normal” daqui para a frente. Para as marcas que acreditavam que tudo seria como antes em 2021 é tarde. Mas, ainda há tempo para buscarem novos caminhos ou modelos de negócio.

Salto (a partir de 2022)

Boa parte dos economistas já aponta que no pós-pandemia, possivelmente a partir de 2022, com boa parte do mundo vivenciando um potencial cenário sem riscos de contaminação, poderá ter uma aceleração em diversos setores. Possivelmente alavancando os setores que mais foram afetados durante a pandemia, como turismo e lazer.

Em minha opinião, viveremos um novo momento das lojas físicas. Muitos consumidores, exaustos do mundo digital, redescobrirão a experiência da loja física que irá ter novamente o papel de principal ponto focal para muitas marcas. Mas, de uma maneira em que os aprendizados “digitais” da pandemia serão cada vez mais parte da experiência presencial.

 

 

 

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